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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

PAIXÃO NÃO CORRESPONDIDA

 Paixão não correspondida

Paixão não correspondida
por Flávio Bastos - flaviolgb@terra.com.br
"Não há diferença entre um sábio e um tolo quando
estamos apaixonados". (Bernard Shaw)
Muitas tentativas de buscar o amor incondicional se
perdem na indiferença ou no desinteresse do outro,
pois o amor real exige sintonia, reciprocidade de
sentimentos e mútua entrega. Quantas experiências
frustradas nas quais desilusão e desespero tornaram-se
algozes de uma mente desequilibrada e coração
partido, acabaram em drama ou tragédia?
A vida não é uma aventura, na qual o indivíduo lança-se
como se fosse programado para ter sucesso em todas
as suas iniciativas. A vida exige do aprendiz uma certa cautela para que desenvolva o seu senso de
orientação vital e aprenda a caminhar em terrenos cada vez mais firmes e seguros. No entanto, os
aprendizados são distintos e sofrer por amor não correspondido, através de experiências sequenciais,
sinaliza que o indivíduo encontra-se dependente de um vínculo emocional-obsessivo do qual
desconhece a sua origem.
A paixão por outra pessoa é inerente à natureza humana. Apaixonar-se leva o indivíduo a uma
situação atípica no sentido comportamental, mas é uma experiência que deve proporcionar, acima de
tudo, aprendizados. Caso contrário, mantém o espírito ligado ao vínculo passional por tempo
indeterminado, ou seja, prisioneiro de sua própria imaturidade emocional. Quem ama, não cerca, não
sufoca e não mendiga amor. Permite que a energia amorosa flua conforme o nível de atração, que
definirá, com o passar do tempo, se os indivíduos são ou não compatíveis a um relacionamento
afetivo de compromisso.
Sob o prisma científico, paixão é um estado emotivo ampliado daquilo que chamamos de amor. Logo,
é uma patologia na qual a pessoa perde grande parte de sua individualidade devido ao aspecto
fascinante que o objeto da paixão exerce sobre ele. Essa fascinação não se dá apenas
psicologicamente. Há também aspectos bioquímicos. Segundo estudos, quando estamos apaixonados,
nosso corpo produz substâncias como a feniletilanamina, um tipo de anfetamina que tem ação
semelhante a de algumas drogas em nosso cérebro. Ou seja, nosso cérebro produz substâncias
viciantes" quando nos apaixonamos. A produção delas, porém, diminui com o tempo. As mais
recentes pesquisas dizem que, em média, isso ocorre em dois anos. Depois, ou o sentimento evolui
para um profundo amor ou a pessoa se dá conta de que tudo era uma projeção inexistente, o que
resulta no fim da paixão.
Na visão filosófica, apesar de ser considerada natural, a paixão não passa de uma perspectiva
projetada de nossas fantasias. Por conta dela, ampliamos a imagem de uma pessoa, tornando-a mais
importante do que realmente ela é. E é por isso que a paixão sempre estará abaixo do amor, porque
paixão trata de fantasia, e o amor de realidade. No entanto, a filosofia sugere que o homem precisa ir
além do falso cenário existencial em que as coisas ou são da paixão ou são da razão, pois é da dança
paixão-razão que brota a vida em sua forma mais plena e bem vivida.
Para o espiritualismo, existe uma confusão entre amor e paixão. A paixão é um sentimento forte,
poderoso, que leva muitas pessoas ao sofrimento e à dor. Geralmente, dura pouco e desfaz
relacionamentos duradouros. Muitos relacionamentos amorosos se encerram após a paixão arrefecer.
Passa-se, então, a enxergar a pessoa amada com todos os seus defeitos e imperfeições. Já o amor é
passivo, calmo, não traz sofrimentos, somente bem-estar e alegrias. O verdadeiro amor não exige
nada em troca. É um sentimento puro de querer bem ao próximo como a si mesmo. É um sentimento
abrangente, pois envolve todos os seres humanos.
Jean Jacques Rousseau, considerado um dos principais filósofos do iluminismo e precursor do
romantismo, definiu com exatidão o amor passional, ao registrar que "todas as nossas paixões são
boas quando nos tornam senhores, ou más quando nos tornam escravos". Isto é, as "boas" nos
tornam pessoas mais autocentradas, menos egocêntricas e com uma visão mais humilde da própria
existência. Quando percebemos que o mundo não gira ao nosso redor, amadurecemos
emocionalmente e despertamos para o amor abrangente.
Por outro lado, as "más" paixões podem levar a pessoa a ficar triste, o que não é considerado
doença, mas a manutenção da tristeza e do sentimento de abandono pode caracterizar patologia. É
quando o indivíduo que está passando por este tipo de alteração emocional apresenta sinais que
fazem parecer que a vida estivesse acabado após sofrer a mágoa. São os chamados "sintomas de
definhamento", quando o indivíduo entra num processo de autodestruição: fica isolado socialmente,
come de forma exagerada ou não se alimenta. Fica depressivo e relaxado com a própria higiene.
Portanto, um raciocínio conclusivo nos leva a crer que tanto as "boas" quanto as "más" paixões
servem de aprendizados no sentido do indivíduo apurar a percepção de amor através do processo de
autoconhecimento. São experiências inerentes ao espírito em sua jornada de descoberta de si mesmo
inserido no contexto vital. No caso de paixão não correspondida, o aprendizado serve para alertar o
indivíduo de que o apego excessivo e a dependência emocional leva a experiências de sofrimento e
dor. Resultado da "cegueira existencial" em relação ao verdadeiro significado do amor. Nesta direção,
o processo de conquista do outro está intimamente vinculado ao autoconhecimento, pois fica mais
fácil conquistar alguém quando temos algo a oferecer, mesmo se o nosso ideal filosófico seja a
"dança paixão-razão que brota da vida em sua forma mais plena e bem vivida".

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